Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
Pequeno poema - Sebastião da Gama (1924 - 1952)
Mostrar mensagens com a etiqueta Sebastião da Gama. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sebastião da Gama. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Quando eu nasci...
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Os que vinham da Dor
Os que vinham da Dor tinham nos olhos
estampadas verdades crudelíssimas.
Tudo que era difícil era fácil
aos que vinham da Dor directamente.
A flor só era bela na raiz,
o Mar só era belo nos naufrágios,
as mãos só eram belas se enrugadas,
aos olhos sabedores e vividos
dos que vinham da Dor directamente.
Os que vinham da Dor directamente
eram nobres de mais pra desprezar-vos,
Mar azul!, mãos de lírio!, lírios puros!
Mas nos seus olhos graves só cabiam
as verdades humanas crudelíssimas
que traziam da Dor directamente.
Os que Vinham da Dor - Sebastião da Gama
Subscrever:
Mensagens (Atom)
