"Acabei agora de comer
um campo de tulipas
Não sei o que fazer
com tanta beleza nas tripas"
Acabei agora de comer
Jorge Sousa Braga
O Poeta Nu
sábado, 8 de março de 2008
Acabei agora de comer
Vos sinto por toda parte
Vos sinto por toda parte.
Se me falta o que não vejo
Me sobra tanto desejo
Que este, o dos olhos, não importa.
(Antes importa saber
Se o que mais vale é sentir
E sentindo não vos ver.)
São coisas do amor,
Desordenadas, antigas.
E se são coisas que se invejam
P'ra se cantar a cantiga.
Não são os olhos que vêem
Nem o sentido que sente.
O amor é que vai além
E em tudo vos faz presente.
Hilda Hilst
O homem e a água
Deixa-me ser o que eu sou,
o que sempre fui,
um rio que vai fluindo.
E o meu destino é seguir...
seguir para o mar.
O mar onde tudo recomeça...
Onde tudo se refaz...
O homem e a água
(Mário Quintana, Últimos Poemas - 1994)
Se você...
Se você está parecido com a fotografia que tem no passaporte, é porque está realmente a precisar de viajar
Earl Wilson
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Explicação de Poesia Sem Ninguém Pedir
Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.
"Explicação de Poesia Sem Ninguém Pedir"- Adélia Prado
Nunca sei...
Nunca sei como é que se pode achar um poente triste.
Só se é por um poente não ter uma madrugada.
Mas se ele é um poente, como é que ele havia de ser uma madrugada?
Alberto Caeiro
O Futuro Perfeito
"A neta explora-me os dentes.
Penteia-me como quem carda.
Terra da sua experiência,
Meu rosto diverte-a, parda
Imagem dada à inocência.
E tira, tira puxando
Coisas de mim, divertida.
Assim me vai transformando
Em tempo de sua vida."
O Futuro Perfeito - Vitorino Nemésio
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
A formosura desta fresca serra...
"A formosura desta fresca serra
e a sombra dos verdes castanheiros
o manso caminhar destes ribeiros
donde toda tristeza se desterra..."
Luis de Camões
Poema do homem-rã
Poema do homem-rã
Sou feliz por ter nascido
no tempo dos homens-rãs
que descem ao mar perdido
na doçura das manhãs.
Mergulham, imponderáveis,
por entre as águas tranquilas,
enquanto singram, em filas,
peixinhos de cores amáveis.
Vão e vêm, serpenteiam,
em compassos de ballet.
Seus lentos gestos penteiam
madeixas que ninguém vê.
Com barbatanas calçadas
e pulmões a tiracolo,
roçam-se os homens no solo
sob um céu de águas paradas.
Sob o luminoso feixe
correm de um lado para outro,
montam no lombo de um peixe
como no dorso de um potro.
Onde as sereias de espuma?
Tritões escorrendo babugem?
E os monstros cor de ferrugem
rolando trovões na bruma?
Eu sou o homem. O Homem.
Desço ao mar e subo ao céu.
Não há temores que me domem
É tudo meu, tudo meu.
António Gedeão
sábado, 23 de fevereiro de 2008
The flower is...
" The flower is the poetry of reproduction. It is an example of the eternal seductiveness of life."
Jean Giraudoux











